
Mas essa é a minha história favorita do bardo, então eu já a havia visto anteriormente na TV e no cinema. A BBC produziu uma série, ShakespeaRE-Told, que apresenta algumas das obras de Shakespeare sob uma perspectiva atual. A versão para The Taming of The Shrew faz uma releitura da peça de que gosto muito. É tão divertida, eu ria alto e muito, mas apresenta a história com uma profundidade que é apenas insinuada no filme de 1969. Desa forma, eu não me angustiei com o que parecia um machismo perverso na visão de Zefirelli.
O título da peça se refere a uma domesticação... a uma megera... Mas essa é apenas a superfície. O que a sociedade na história de Shakespeare vê e reconhece. O que acontece intimamente com o casal protagonista cabe somente a eles saber, e esse aspecto por si torna a história bastante interessante.
Katherine e Petruchio não se conformam às regras sociais predominantes no seu tempo e lugar. Eles se rebelam, são incontroláveis... Não se adequa ao senso comum social. Não é uma surpresa,então, que acabem reconhecendo a si próprios um no outro. Mesmo assim, a paz entre eles demora um pouco mais para se estabelecer, se é que assim será algum dia.
A questão aqui não é domesticar, domar, mas sim o entendimento, a empatia entre os dois rebeldes, que leva a um relacionamento não tradicional que desafia todas as expectativas sociais e familiares. É genial, mas eu somente consegui perceber dessa forma com a produção de 2005 da BBC.
Nesse contexto, eu pude admirar o filme de Zeffirelli. Precisei me lembrar constantemente de que era ele na direção, porque a todo momento me maravilhava com a beleza das cenas. O filme é impressionante, irônico, belo, repleto de detalhes inteligentes, com dois protagonistas representados por atores que tampouco se conformaram com uma vida mediana.
http://onemovieadaywithamelie.blogspot.com/2015/07/day-124-taming-of-shrew-july-11.html
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PS: Taming of the Shrew da BBC se refere ao filme de 1969 em muitos aspectos. A caracterização de Rufus Sewell para Petruchio tem muto da performance de Richard Burton em alguns momentos, especialmente com o seu histérico "Kiss me, Kate!". Vale conferir essa excelente versão abaixo (Ou ver o filme todo, se preferir :):
PPS: Outra versão da peça de Shakespeare de que gosto muito é menos óbvis, mas igualmente boa: 10 Coisas que eu Odeio em Você (10 Things I Hate About You, 1999) é uma versão fofa e inteligente, e é genial. Com o saudoso Heath Ledger e a subestimada Julia Stiles, esse é um dos meus filmes favoritos.