Sinto muito, pessoal, mas essa não é uma história de amor. Quer dizer, pelo menos não para mim.
dois adolescentes se apaixonam em num lindo, silencioso, bege cenário sueco. Diálogos calmos, nada muito histérico até o final, nós acompanhamos os dois enfuando se apaixonam, seus amigos e famílias como pano de fundo. Ou melhor, sua história de amor é o pano de fundo para um retrato da vida na Suécia à época. Para mim, este é o tema do filme: como questões familiares e profissionais estavam em transformação, seguindo na direção de um modo mais capitalista de vida, perdendo a simplicidade e o modo calmo daquela sociedade.
A cinematografia é excelente. As imagens, que dizem tanto sem palavras, são atemporais. O cinema pode ser um meio de documentar a vida em histórias ficcionais, e o filme de Roy Anderson faz exatamente isso a meu ver. Um aspecto perturbador dessa produção, no entanto, é que os adolescentes de 15 anos pareciam não ter mais que 10. Eu tive de me lembrar a todo tempo de sua idade, porque o que parecia ocorrer em cena era duas crianças se beijando e dormindo juntas. Mas mesmo com essa lembrança foi estranho. Não sei se foi intencional, para marcar o quanto os dois personagens eram jovens.
Eu adoro o cinema nórdico. Seus pontos de vista sobre a humanidade, a vida, o mundo são incrivelmente traduzidos em filmes. Eu gostei de conhecer uma produção sueca mais antiga, de ser parte desse documento de uma modo de vida que não é mais - sem nostalgia ou arrependimento (só um pouco, talvez). Trata-se de uma visão objetiva, mas ainda assim poética. Não há nenhuma defesa de um passado melhor, somente uma visão delicada e contundente de como as coisas mudam. A esse respeito, a juventude pode trazer consigo as primeiras marcas da transformação, ao mesmo tempo em que se apegam belamente ao que importa na vida e ainda vele a pena, como o amor, por exemplo.
http://onemovieadaywithamelie.blogspot.com.br/2015/05/day-seventy-four-swedish-love-story-may.html
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En Kärlekshistoria. Dirigido e escrito por Roy Andersson. Com: Ann-Sophie Kylin, Rolf Sohlman, Anita Lindblom. Suécia, 1970, 115 min., Stereo, Color. |
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