Por dois dias consecutivos, não conseguir encontrar a vontade de assistir a um filme. Nesses dois dias, eu me vi no lado errado da força: dois filmes muito lindos, ambos franceses e como mesmo ator, François Damiens, o doce Markus de A Delicadeza do Amor, provaram que eu estava errada. Esse blog está se tornando supernatural :)

Família pode nos trazer alegria, conforto, mas pode também ser uma fonte de dor, e esse filme apresenta como a opção por um caminho diferente do seguido pela família é sempre difícil, mesmo com parentes tão maluquinhos e queridos como os Bèlier. Mesmo uma família doce e feliz consegue ser um obstáculo para se alcançar outros modos de vida. Filha mais velha de um casal surdo, Paula tem muitas responsabilidades na dinâmica familiar... e ela lida com situações diárias que se tornam surreais de um momento para o outro com a mesma facilidade. Tudo isso, porém, traz um custo para ela, assim como a todos nós em determinadas etapas da nossas vidas.
Meu único grande senão aqui se refere à última cena, assim como aconteceu com Os Belos Dias: a falta de uma maneira melhor de conjurar todas as possibilidades à frente da personagem para além do final do filme leva algumas produções a optarem por uma última cena que pareça inspirada, mas que acaba por parecer amadora. A personagem, assumindo o controle de sua vida, caminha (ou ainda melhor, corre) na direção do que a espera adiante... Há uma pausa no movimento, um close na expressão sorridente e esperançosa do personagem. É horrível. Eu não considero que essa seja uma boa opção para o final, mas uma forma fácil e confortável de passar para os créditos finais. Essa alternativa é vazia sob tantos aspectos, que é ainda mais triste de vê-la como opção num filme que tem um bom ritmo e história como A Família Bélier.
PS: Ainda me incomoda a forma como eu fui preconceituosa com Markus em A Delicadeza do Amor. Em A Família Bélier, François Damiens, com seu rosto estranho e sorriso aberto, se encaixa perfeitamente... mas em um papel romântico, eu o rejeitei de início, somente para ver o quanto estava enganada e envolvida em padrões já cimentados no senso comum. É tão triste cair numa tal armadilha, que ainda estou pensando a respeito.
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