14 de ago de 2015

Day 120: Divertida Mente (7 de julho)

Mês passado, eu viu uma entrevista em que Amy Poehler discutia o tema principal da nova animação da Pixar/Disney, Divertida Mente. De acordo com a atriz, o filme discute como todos os sentimentos são uma parte nossa; assim, deveríamos reconhecê-los todos, mesmo que seja algo difícil de assumir. Eu imediatamente fiquei interessada, porque eu penso - e sinto - da mesma forma. 

Em torno de mim vejo pessoas fazendo careta para a tristeza, a irritação, para a raiva de outros. Especialmente a tristeza, como se ela fosse uma doença, uma fraqueza. É senso comum que devemos lutar contra sentimentos não aceitos socialmente ou mesmo por nós mesmos, indivíduos. Nós podemos nos confrontar com a culpa, o desespero, a solidão enquanto lidamos com os sentimentos mais difíceis em nós. Hoje no cinema, no entanto, pensei como o grupo de pessoas que tentaram o suicídio, no filme de ontem, Clube dos Suicidas, seria significativamente menor se fosse um costume socialmente difundido lidar com o que realmente sentimos no momento, encarando o sentimento de frente em vez de virar as costas para ele, fazendo de conta que não é conosco. 

Algo que pude perceber ao longo de anos e aos de enfrentamento, é que quando aceitamos o que sentimos de fato, finalmente chegamos a uma solução - ou pelo menos ficamos mais em paz conosco, mesmo que a situação não se resolva. O coração fica, de qualquer forma, mais tranquilo quando paramos de lutar contra nós mesmos. Brigar com os nossos sentimentos é um modo seguro de afundar cada vez mais no que justamente tentamos evitar. É estranho, mas parece bastante real par amim. E talvez também o seja para os realizadores de Divertida Mente. 

Tristeza é uma parte indesejada da personagem principal aqui. Ela é um sentimento que não se adequa aos outros, especialmente à Alegria, tão bombada e esperançosa todo o tempo. A tristeza não é realmente reconhecida pelos outros sentimentos, e é sempre mantida à parte. Mas ela está ali, uma parte de Riley. Uma parte preciosa, aliás. O que nós iremos perceber ao longo do filme é que ela guarda consigo as respostas para algumas das mudanças mais difíceis na vida da garota de que fazem parte. 

Riley tem onze anos, quase doze. Minha sobrinha, ao meu lado no cinema, tem a mesma idade. Eu consegui identificar várias similaridades entre as duas meninas, a da tela e a que estava sentada perto de mim, tanto que me peguei sorrindo em vários momentos. A perda de algumas das "Ilhas de Personalidade" no processo transformação é de cortar o coração, mas retrata de forma muito querida o que representa crescer. Eu estou testemunhando as mesmas mudanças na minha sobrinha querida e inteligente, e todo esse processo é incrível e melancólico ao mesmo tempo.  

Ao final, eu fiquei feliz em perceber que a minha Ilha da Bobeira se encontra intacta ainda, com certeza :)

Divertida MEnte (Inside Out)Dirigido por Pete Docter, Ronaldo Del Carmen. 
Com: Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black (na versão original em inglês). Roteiro: 
Pete Docter et al. EUA, 2015,  94 min., Dolby Digital/Datasata/Dolby Atmos,
 Color/Animação (Cinema).









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