22 de jun de 2015

Dia 7: A Culpa é das Estrelas (16 de março)

Oito filmes na semana! Opa, nove, contando com a produção de hoje neste desafio. 

O meu poster :)
Havia várias opções para hoje, dois filmes que queria ver no cinema, três no DVD... Mas quando cheguei a minha casa, um pouco resfriada, cansada e um pouco desanimada, na verdade, eu queria algo conhecido. Comida acolhedora, um filme querido. Então, com um resto de sopa que encontrei na geladeira, pão quentinho e o mundo conhecido do meu sofá, eu vi novamente A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) na TV a cabo - esta foi a nona ou décima vez, não tenho mais certeza. Mas era justamente do que eu precisava hoje. 

Sempre que eu assisto a esse filme, eu lembro de um post na época do seu lançamento em que pessoas esbravejavam com John Green por fazê-las chorar tanto durante a história. Fuck You, Jonh Green, era o lema. Nós lemos um livro, vemos um filme... os dois nos fazem chorar, ri e sentir demais. Então o natural seria culpar o autor. Nada mais justo. 

O que não é nada justo é que duas pessoas tão jovens tenham de  enfrentar algo tão difícil. Eu sei, acontece. Coisas ruins acontecem para todo mundo, em diferentes aspectos e intensidade. Machuca imensamente, e não há termômetro que meça a dor. No entanto, nesta história de amor entre dois adolescentes gravemente doentes, a injustiça dessa situação é o que acaba comigo toda vez. 

Eu choro em diferentes partes a cada vez que vejo o filme (embora a cena do balanço seja uma constante). Hoje, o choro foi particularmente intenso na cena de amor. O que supostamente me deixaria feliz, foi uma pedra no estômago. E, de novo, eu pensei o quanto a injustiça me deixa triste. A falta de tempo de aproveitar e simplesmente viver as possibilidades que a vida poderia apresentar se não fosse a doença.  

Um ponto eu quero enfatizar hoje: quando o filme foi lançado, alguns críticos afirmaram que o personagem Gus não possuía credibilidade, não soava real. Ele era muito legal, muito engraçado, muito superficial, sem a necessária profundidade.  E apesar de a adaptação no cinema de fato pegar leve em algumas cenas mais intensas e difíceis, Gus é um personagem bastante forte a meu ver. Em um determinado momento, ele diz como ele suportou um ano de tortura e a perda de uma de suas pernas. Eu penso que um a pessoa, principalmente uma tão jovem, que passa por um período tão difícil em sua vida, aprende que há outras formas de reagir às coisas e de interagir com as pessoas. Gus, para mim, representa esse aprendizado. E ao ser da forma que ele é, ele se torna admirável, não fraco ou bobo. 

Eu tenho discutido essa história por algum tempo já, e tudo que eu escrevo a respeito me parece ultrapassado, já dito antes. Ainda assim, considero importante dizer o quão boa essa adaptação é, com um elenco forte e honesto, uma boa direção e uma trilha sonora legal (exceto a música tema, de Ed Sheeran, e a dos anjos, que toca quase ao final - não consigo suportar nenhuma das duas, a ponto de sair da frente do filme enquanto elas tocam). Trata-se de uma boa adaptação, mesmo que alguns aspectos não sejam tão bem retratados nele quanto no livro - o que é comum em adaptações para o cinema. A principal questão, no entanto, é que a história contada por John Green está presente no filme, assim ocorrendo com os personagens também, o que não é fácil de conseguir ao adaptar um livro para o cinema.

Algo que adoro nessa história é a ênfase em como ficção é uma importante parte das nossas vidas. Cercada de pessoas que a amam e se preocupam com ela, a protagonista, Hazel Grace, sente-se compreendida, contudo, por um livro. Nada é capaz de compreendê-la melhor, principalmente quanto ao que ela tem de lidar ao enfrentar o câncer e os tratamentos, do que um livro chamado Uma Aflição Imperial. Nesse sentido, é sintomático que o livro de Jonh Green seja ele próprio tão importante para várias pessoas pelo mesmo motivo. E o leitor pode se identificar com a história. Eu com certeza me identifiquei, apesar apesar de ser um adulto diante de uma história voltada para um público mais jovem (o quanto essa distinção realmente limita as obras é uma questão sobre a qual penso bastante). Eu me senti compreendida pela história de um modo que os meus amigos mais queridos e próximos não conseguem entender às vezes (E eu posso dizer que tenho os amigos mais incríveis do universo). Mas essa é justamente a beleza da ficção, qualquer que seja o meio em que contada apresentada: ela parece tão distante da vida real, mas está fincada na realidade, das formas mais variadas e diversas, sem que necessariamente sejamos conscientes disso. 

http://onemovieadaywithamelie.blogspot.com.br/2015/03/day-seven-march-16.html


A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)Directed by 
Josh Boone. Com: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff, 
Laura Dern. Roteiro: Scott Neustadter e Mchael H. Weber a partir 
do livro de John Green. EUA, 2014, 126 min., Dolby/Dolby Digital/
SDDS/Datasat, Color (NET). 





PS: Em 2013, durante um estádio docente na universidade, eu propus aos alunos a adaptação de uma cena de um livro, escolhido por eles, para o vídeo, em um exercício que visava criar uma experiência com as diferentes formas de contar uma história. Assim era proposto para que conseguíssemos perceber a ficção como uma forma de construir a subjetividade. A experiência foi genial, o vídeo é muito lindo. Não posso mostrá-lo aqui. Em vez disso, apresente neste post dois vídeos encontrados no youtube que me inspiraram a na construção da experiência proposta em sala de aula com os estudantes, antes que a produção do filme de A Culpa é das Estrelas sequer tivesse sido anunciada. O primeiro é uma adaptação da cena do livro que, para mim, ficou melhor que no filme (Há uma cena deletada do filme, presente na versão estendida, que compensa o quão a cena ficou superficial na adaptação). 








PPS: Cenas dos bastidores:






PPPS: Fragmentos: Nebraska, 2013 (Amo muito esse filme...); Stranded in Paradise (uma produção bobinha para a tv) and Thor: The Dark World (Eu não me desconectei do Adam de Tom Hiddleston ainda, então achei Loki bastante bobo... rs).

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