1 de jul de 2015

Dia 39:Igual a Tudo na Vida (17 de abril)

Diante de um filme de Woody Allen, eu sempre me preparo para uma de duas alternativas: ou eu vou adorar o filme e me encantar por ele, ou, por outro lado, vou me aborrecer e desapontar. Na primeira, eu saio do cinema ou desligo o DVD com o coração leve e feliz; na segunda, eu simplesmente espero que seu próximo filme. 

Carrying all the love alone...
Igual a Tudo na Vida (Anything Else) se encaixa na última categoria. Não consegui entender Jason Biggs, seus olhos e expreessões sem vida. Christina Ricci eu adoro desde A Família Adams (The Addams Family - sua versão de Wednesday é absolutamente incrível), mas sua personagem aqui eu costumo desprezar nos filmes - e culpo o roteiro por isso. Personagens manipuladores também podem ser divididos em dois tipos: aqueles que são realmente bem construídos, nos os odiamos pelo tanto que eles fazem sentido, e aqueles outros que são desenhados de forma estúpida e apressada, bastante estereotipada, tanto que comprometem toda a história. Este último tipo me enfureceu em Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York) e neste filme de Allen. É tão irritante, que eu só desejava que ele chegasse ao fim para poder me livrar de todo esse nonsense - e eu geralmente costumo apreciar a falta de sentido. Mas, como a loucura, esses personagens podem ser classificados de duas formas, como já dito, e Allen escolheu a pior delas, a meu ver. 

E foi uma pena, de fato, porque o relacionamento dos personagens de Biggs e Woody na história é querido e palpável (ainda que a atuação horrorosa de Biggs nos dê a impressão de que ele preferia estar em qualquer outro lugar que não ali). O filme poderia ter focado apenas no relacionamento dos dois, e já teria sido incrível, mas a bobeira levou a melhor, enevoando todo o resto. Algo que acontece com frequência no cinema, como tudo na vida. 


Como tudo na vida (Anything Else). Dirigido e escrito por Woody Allen. 
Com: Jason Biggs, Woody Allen, Christina Ricci. EUA/França/
Inglaterra,  2003, 108 min., DTS, Color (DVD).


PS: Há algumas falhas enormes na minha filmografia, e alguns filmes de Woody Allen se encontram nesse meio. Um deles foi Manhattan, 1979, que eu procurei ver por conta de um dos meus filmes mais queridos na vida, o argentino Medianeras2011. Os dois personagens principais, que são absolutamente fofos, assistem a esse filme de Allen sozinhos, cada um no seu apartamento minúsculo, chorando na cena final. Eles dividem esse momento sem saberem disso. É tão lindo e comovente, que eu aluguei o DVD, e fiquei surpresa e maravilhada. Algumas produções mais antigas explicam porque diretores como Allen e Scorsese são considerados tão geniais.  Manhattan é uma das coisas mais incríveis e surpreendente que já vi, e tenho a impressão de que ainda encontrarei várias outras surpresas na minha jornada em direção de diminuir essa falha na minha cinematografia. 

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