12 de jul de 2015

Dia 92: A Família Bèlier (9 de junho)

Por dois dias consecutivos, não conseguir encontrar a vontade de assistir a um filme. Nesses dois dias, eu me vi no lado errado da força: dois filmes muito lindos, ambos franceses e como mesmo ator, François Damiens, o doce Markus de A Delicadeza do Amor, provaram que eu estava errada. Esse blog está se tornando supernatural :)

Eu tinha um pouco de receio de A Família Bélier (La Famille Bélier) na verdade, desde que eu havia lido a respeito do filme. Sempre fico cautelosa com produções que me parecem sentimentais demais. Mas eu deveria ter confiado no modo leve (ainda que dramático) com que os franceses discutem questões delicadas no cinema. Esse filme é doce, às vezes até mesmo agridoce, engraçado, cativante. Eu ri alto em muitas cenas, mas com um coração sensibilizado pela história. 

Família pode nos trazer alegria, conforto, mas pode também ser uma fonte de dor, e esse filme apresenta como a opção por um caminho diferente do seguido pela família é sempre difícil, mesmo com parentes tão maluquinhos e queridos como os Bèlier. Mesmo uma  família doce e feliz consegue ser um obstáculo para se alcançar outros modos de vida. Filha mais velha de um casal surdo, Paula tem muitas responsabilidades na dinâmica familiar... e ela lida com situações diárias que se tornam surreais de um momento para o outro com a mesma facilidade. Tudo isso, porém, traz um custo para ela, assim como a todos nós em determinadas etapas da nossas vidas. 

Meu único grande senão aqui se refere à última cena, assim como aconteceu com Os Belos Dias: a falta de uma maneira melhor de conjurar todas as possibilidades à frente da personagem para além do final do filme leva algumas produções a optarem por uma última cena que pareça inspirada, mas que acaba por parecer amadora. A personagem, assumindo o controle de sua vida, caminha (ou ainda melhor, corre) na direção do que a espera adiante... Há uma pausa no movimento, um close na expressão sorridente e esperançosa do personagem. É horrível. Eu não considero que essa seja uma boa opção para o final, mas uma forma fácil e confortável de passar para os créditos finais. Essa alternativa é vazia sob tantos aspectos, que é ainda mais triste de vê-la como opção num filme que tem um bom ritmo e história como A Família Bélier.


A Família Bélier (La Famille Bélier). Dirigido por Eric Lartigau. 
Com: Karin Viard, François Damiens, Louane Emera. Roteiro: Thomas Bidegain
 et al. França/Bélgica,2014, 106 min., Dolby SR, Color (DVD).



PS: Ainda me incomoda a forma como eu fui preconceituosa com Markus em A Delicadeza do Amor. Em A Família Bélier, François Damiens, com seu rosto estranho e sorriso aberto, se encaixa perfeitamente... mas em um papel romântico, eu o rejeitei de início, somente para ver o quanto estava enganada e envolvida em padrões já cimentados no senso comum. É tão triste cair numa tal armadilha, que ainda estou pensando a respeito. 


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